Classe C ajuda na expansão de vendas de material de construção

O consumidor de baixa renda, apelidado de “formiga”, está ajudando o varejo de material de construção a vender mais neste ano. Ele continua comprando, muitas vezes, um pouquinho de cada vez e à vista, mas a redução dos juros e o aumento da oferta de crédito, até sem comprovação de renda em algumas lojas, estão favorecendo a expansão desse tipo de consumo.

Guilherme Garcia Rodrigues, diretor da Casa Show, no Rio de Janeiro, confirma o crescimento no primeiro semestre do ano. A empresa controlada pelo grupo Sendas, com oito lojas de material de construção no Rio de Janeiro, registrou este ano um crescimento de 20% no volume de vendas e de 18% no número de clientes. Segundo Rodrigues, a expansão do crédito e a queda de preços de itens importantes favoreceram o aumento das compras, especialmente dos consumidores de baixa renda. “A alta nas vendas e no número de clientes só não foi mais significativa por causa do excesso de feriados e também da Copa do Mundo”, diz Rodrigues.

Os consumidores de baixa renda, segundo ele, foram estimulados pela queda da tributação de vários produtos como forma de estímulo à construção de habitações populares anunciadas em fevereiro pelo governo federal. Houve redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), por exemplo, para 41 produtos utilizados em reformas e construção de imóveis. A renúncia fiscal foi estimada em cerca de R$ 1 bilhão/ano. No início de junho, a lista foi ampliada em mais 11 itens e a renúncia fiscal avaliada em mais R$ 55 milhões anuais.

Os preços de cimento, tintas e aquecedores, por exemplo, ficaram, segundo o executivo da Casa Show, respectivamente, 42%, 15% e 30% mais baratos.

Varejistas em São Paulo também registram expansão nos negócios. “A redução de alguns impostos promovida pelo governo este ano tem impulsionado o comércio”, diz Carlos Roberto Corazzin, diretor de marketing da rede Dicico Home Center de Construção. “E, quando aumenta o consumo de um item, cresce dos outros também. É proporcional.”

Algumas redes que operam no mercado paulista estão cada vez mais dedicadas ao público da classe C. A Dicico é uma delas. Na rede, com 16 lojas, 65% dos consumidores são de baixa renda e, para eles, é oferecido financiamento em 24 parcelas há mais de um ano. Segundo Corazzin, o consumidor prefere esse tipo de pagamento. Assim, ele não fica descapitalizado para tocar a reforma. “Ele precisa de dinheiro na mão para pagar o pedreiro e isso faz com que prefira dividir a compra dos materiais de construção.”

Na Nicom, loja especializada no bairro do Brooklin, zona sul da cidade de São Paulo, as classes populares têm tratamento especial. “Cerca de 40% das nossas vendas são destinadas a minireformas”, diz Minoru Shimuta, sócio-diretor. “O efeito da queda do imposto não é como o governo previa, mas já tivemos um resultado positivo este ano.” O executivo prevê alta das vendas entre 8% e 10% em 2006.

A Dicico aposta em um crescimento de 38% este ano, para R$ 400 milhões este ano. Segundo Corazzin, esse incremento na receita deve-se tanto ao aumento das vendas nas mesmas lojas, quanto a abertura de novas unidades. A rede irá inaugurar três ou quatro pontos até o final do ano.

A Casa Show, do Rio, também prevê fechar 2006 com crescimento. A rede espera aumentar em 8% o seu faturamento em relação ao ano passado e um crescimento ainda maior a partir de 2007, quando também vai inaugurar novas lojas. No prazo de dois anos, a rede vai crescer de oito para 11 unidades. Os investimentos na ampliação de lojas deverão alcançar R$ 20 milhões em 2006/2007.

O aumento de vendas de material de construção não é um fenômeno nacional. O crescimento que se nota no Rio, em São Paulo e em Santa Catarina, onde redes locais preparam a expansão de seus negócios, não é observado no Nordeste e Rio Grande do Sul.

No primeiro semestre, o desempenho do varejo especializado no Nordeste no extremo sul do país ficou abaixo do esperado pelos varejistas. O endividamento dos clientes e características locais – como, no caso da Bahia, o aumento das chuvas – explicam em parte o fraco desempenho.

Na Bahia, por exemplo, os gastos das classes C e D até junho acabam sendo direcionadas para outros fins, como compra de material escolar e carnaval.

Em Pernambuco, a seqüência de festas e feriados e agora a Copa do Mundo, também derrubaram as vendas. ” Tivemos uma queda de até 30%”, diz Gilson Santana, gerente de loja da Tupan, uma das principais redes do mercado pernambucano. Segundo ele, a rede tem mantido os estoques apenas em nível de reposição, sem perspectivas de um aquecimento das vendas a curto prazo.

Segundo Santana, as medidas anunciadas no início deste ano pelo governo ainda não animaram o consumidor de Pernambuco a reformar, ampliar ou construir. “A população não tem dinheiro para investir”, diz.

Mas se depender dos informados pela Caixa Econômica Federal (CEF) ao Valor , haverá mais consumidores com dinheiro no bolso neste ano para comprar material de construção. Nas três modalidades de crédito direcionadas a esse tipo de consumo a CEF constata um aumento expressivo de demanda até junho. O Construcard já atingiu o equivalente a 90% do registrado em todo o ano passado. Foram R$ 2,03 bilhões ante R$ 2,25 bilhões no último ano-calendário.

Uma pesquisa recente realizada pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro comprova a percepção do varejo em relação ao consumo das classes mais baixas. Quando segmentada por faixa de rendimento familiar mensal, o levantamento mostra que tanto o consumo quanto a intenção de compra estão acima da média na faixa de mais baixa renda (até dois salários mínimos). Neste segmento, 1,8% das famílias compraram material de construção nos primeiros cinco meses deste ano. No mesmo período do ano passado o percentual foi de 1,4%.

Quanto à intenção de consumo, 6,2% dos entrevistados com rendimentos de até dois mínimos pretendiam comprar material nos próximos seis meses. Em 2005, a média foi 4%.

Já entre os entrevistados com renda familiar superior a 20 mínimos, embora a parcela dos que compraram material de construção (1,3%) no acumulado de janeiro a maio seja maior do que no ano passado (1%), os números estão abaixo da média. O mesmo ocorre quanto à intenção de consumir nos seis meses à frente (2,3% até maio e 2,2% no ano passado).

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Rio de Janeiro, Roberto Kaufmann, diz que as compras de material de construção no varejo são, no geral, para reformas ou para construções informais, tendo pouca influência das empresas de construção civil.

De qualquer forma, os números da Fecomércio-RJ mostram que a média geral do consumo, embora em recuperação, ainda estão abaixo do recorde de 2003, quando 2,7% das famílias compraram material de construção. Em 2004 a média foi de 2,2%.

A última Pesquisa Anual de Comércio do IBGE, referente ao ano de 2004, que acaba de ser divulgada, mostra a pulverização do varejo de material de construção. No final de 2004, a categoria contava com 125.302 empresas, que faturaram R$ 31,2 bilhões, contra R$ 25,4 bilhões em 2003.

Fonte: Secovi-PR.com.br

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