Para ONU, ausência de financiamento e despreparo de governo e construtoras para lidar com baixa renda elevam déficit no país.
A ausência de crédito para pessoas de renda baixa é um dos fatores que explicam e ajudam a agravar o déficit habitacional no Brasil, estimado em 7,7 milhões de moradias. Segundo Erik Vittrup Christensen, da UN-Habitat, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para assentamentos urbanos, tanto governo quanto construtoras e o mercado financeiro brasileiros não têm tradição em trabalhar com moradia popular.
Segundo relatório divulgado ontem, simultaneamente em todo o mundo, cerca de 1 bilhão de pessoas vivem atualmente em favelas ou áreas invadidas e, por isso, não conseguem ter acesso ao crédito habitacional.
A ONU estima que, em 2030, cerca de 3 bilhões de pessoas (40% da população) necessitarão de moradias e serviços de infra-estrutura. Tendência que, se não houver fortes investimentos, deve se intensificar. Segundo cálculos da entidade, seria preciso investir US$ 4,2 bilhões por ano até 2020, o equivalente a US$ 50 milhões por hora, para erguer 96.150 casas por dia.
Há 25 anos construindo a casa de alvenaria na comunidade da Vila Rica, no Complexo do Andaraí, a família de Alberto Pereira Barbosa, nunca conseguiu um financiamento. A última tentativa foi há 10 anos, quando o crédito foi negado porque ele não tinha como comprovar a renda. Agora, trabalhando como vigia com carteira assinada e renda mensal de R$ 450, o problema é outro: a casa encontra-se em área de risco, o que exclui a possibilidade de financiamento pelos bancos públicos.
Na notificação, a prefeitura informa que “fica a cargo do morador a adoção de medidas para a solução do problema, por se tratar de questão de âmbito privado”.
Para terminar as obras, Alberto precisa de R$ 10 mil, mas lamenta que o valor mínimo mensal do financiamento esteja acima de seu alcance.
Pelas regras atuais, o vigia só conseguiria financiar R$ 7 mil pela Caixa Econômica Federal, com parcela mensal de R$ 98 em oito anos, mas uma norma do Conselho Curador da Caixa estipula um bônus no financiamento para quem tem renda de R$ 1,5 mil. Com isso, Alberto só precisaria pagar R$ 4.480 do valor financiado.
Ele conta que, com o crescimento da favela, as condições de saneamento também estão se deteriorando.
Enviado em quarta-feira, 14 de setembro de 2005 @ 00:00:00 (Arquivado em 16/9/2005)
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